Uma criança não precisa falar oralmente para ter algo importante a dizer
Imagine precisar de ajuda e não conseguir explicar o que está acontecendo. Ou querer participar de uma brincadeira, mas não encontrar uma maneira de demonstrar esse desejo.
Para algumas crianças autistas, situações assim fazem parte do cotidiano. A comunicação pode acontecer por palavras, gestos, expressões, apontamentos, escrita, imagens ou recursos tecnológicos.
Reconhecer diferentes possibilidades de comunicação é fundamental para garantir participação e autonomia.
Comunicar também é recusar, pedir ajuda e compartilhar uma descoberta
Uma criança pode precisar comunicar que deseja um objeto, que não gostou de uma situação, que sente dor, que quer compartilhar uma descoberta ou simplesmente que prefere ficar em silêncio naquele momento.
Por isso, ensinar somente a nomear objetos não é suficiente. Precisamos criar oportunidades para que a criança utilize a comunicação em situações reais e significativas.
Cada pessoa autista apresenta características e necessidades próprias. Não existe uma única estratégia adequada para todas.
Estratégias simples com função real no cotidiano
Ofereça escolhas verdadeiras
Em vez de decidir tudo pela criança, apresente alternativas possíveis. A resposta pode acontecer por fala, gesto, olhar direcionado, apontamento ou outro recurso acessível.
Valorize diferentes formas
Imagens, gestos e comunicação alternativa e aumentativa são formas legítimas de expressão. A CAA pode complementar a fala ou oferecer caminhos quando a linguagem oral não atende às necessidades da pessoa.
Crie oportunidades naturais
Durante brincadeiras, refeições, leituras e atividades escolares, permita que a criança faça pedidos, comentários, perguntas e escolhas em situações reais.
Respeite o tempo de resposta
Algumas crianças precisam de mais tempo para compreender uma pergunta, organizar uma resposta ou utilizar um recurso. Evite repetir rapidamente ou responder por elas.
Ensine necessidades importantes
Pedir ajuda, recusar uma atividade, solicitar uma pausa, comunicar desconforto e expressar preferências são habilidades essenciais. O direito de dizer “não” também faz parte da comunicação.
A comunicação durante as atividades
Durante uma brincadeira com blocos, por exemplo, o adulto pode oferecer oportunidades para a criança:
O objetivo não é transformar toda brincadeira em uma sequência de perguntas. É permitir que a comunicação tenha uma função real, respeitando a iniciativa da criança.
Observe antes de exigir uma resposta específica
Escolha uma atividade de que seu filho goste e observe como ele costuma se comunicar. Procure compreender suas iniciativas e oferecer meios acessíveis para ampliar a interação.
Se houver dificuldades importantes de comunicação, profissionais habilitados, especialmente da fonoaudiologia, podem orientar uma avaliação individualizada e a escolha de recursos adequados.
Sete dias de oportunidades significativas
Durante sete dias, ofereça pelo menos uma oportunidade significativa de escolha e uma oportunidade de expressão espontânea em uma atividade cotidiana.
Observe quais recursos facilitam a participação e respeite as preferências demonstradas.
Eu Tenho Algo a Dizer!
Cartões de comunicação funcional para expressar escolhas, pedidos, sentimentos, necessidades, atividades e respostas, sem exigir exclusivamente a linguagem oral.
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“Comunicar não é apenas produzir palavras. É ter a oportunidade de ser compreendido.”
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